Fracasso : Como Transforma-lo?

O que pode levar um profissional ao Fracasso

 

Marcia Dolores Resende 

 

Falar do Fracasso é quase um tabu com a ditadura em busca pelo Sucesso generalizado, esquecendo que para chegar a um determinado objetivo existem etapas e, na maioria das vezes o que é considerado fracasso como algo "ruim", assumindo uma visão binária que é sempre limitante.

O que chamamos de Fracasso é um resultado diferente do esperado, que ao rotular desta forma acontece é fechada a possibilidade primeiro de reflexão, segundo de flexibilidade para o aprendizado, que poderia proporcionar evolução e motivação para uma nova experiência ou dentro da mesma experiência.

Considerar o resultado como um fracasso movimenta o seu cérebro para produção rápida de frustração, um estado que interfere nos seus sentidos e portanto na qualidade de suas escolhas e decisões.

 

Quando consideramos a vida de forma sistêmica, um fato ou evento é parte de um processo maior, ampliando assim as nossas alternativas para agir e a conquistar os resultados.

A visão sistêmica tira a imaturidade do imediatismo, que na vida profissional pode gerar mais danos do que ganhos, quando consideramos a longevidade e as mudanças que a mesma traz, hoje um profissional tem uma carreira longa, que pode passar por mais de uma profissão. A capacidade de trabalhar com o longo prazo e compreender as ações como parte de um processo, favorece muito a transformação de um "Fracasso".

 

Essa visão realça as nossas capacidades ganhamos ao dar significado a um fato ou evento, Vale lembrar que mente e corpo formam um único sistema, ao atribuir um significado a um evento, você programa seus sentimentos e pensamentos numa determinada direção

Mas sabe qual considero o caminho mais curto para o insucesso? Por mais antagônico que possa parecer, é justamente a busca desenfreada do sucesso!

 

E porque isso ocorre?

 

Desconhecer internamente o que realmente significa o sucesso para você pode colocá-lo no caminho de várias armadilhas que vão jogá-lo na direção oposta. A primeira armadilha é se expor à influência massificada externa, com critérios pré-estabelecidos por outras pessoas. Definir o que “sucesso” significa para você pode ser o primeiro grande antídoto para o insucesso!

 

Sei que soa quase como um jargão de auto-ajuda, porém é fato que o autoconhecimento é uma forma efetiva de reconhecer exatamente o que o fará sentir, por meio dos seus objetivos e valores, que o sucesso foi alcançado.

 

Observo profissionais em busca de sucesso sem terem identificado o que esse estado representa para eles, e principalmente sem conhecer os próprios valores. Fica notório o pesar oculto no frenesi de sempre querer algo mais… para preencher a insatisfação, o vazio de um “sucesso” definido por outras pessoas.

 

Escapar da premissa coletiva de sucesso pode ser uma das formas mais poderosas de viver e sustentar a real satisfação em concretizar algo perene ao longo de um desenvolvimento pessoal e profissional e distanciar-se do “fantasma do insucesso”.

 

Assim como as crianças, poderíamos pensar de forma mais simples sobre o que é sucesso, deixando a mente divertidamente ousar e ter prazer ao construir.

 

Segunda armadilha que pode rapidamente levá-lo ao dissabor do insucesso é acreditar que o sucesso é estático. Que, a partir do momento em que foi conquistado, ele estará lá eternamente.

Isso faz com que muitos profissionais se apeguem ao passado de forma cruel!

 

É interessante quando nos deparamos com profissionais que citam sucessos obtidos há 20, 30 ou 40 anos, e que narram o feito como se tivesse sido realizado agora, no presente.

 

Manter a memória das realizações é valioso, mas como referência interna para fortalecer a sua segurança em seguir e construir novas conquistas. Elas também servem para nos mostrar o que mudou. Às vezes, algo que era valorizado no passado adquire outro significado no presente!

 

Ter a liberdade de desprender-se de antigos sucessos fará de você um profissional apto a novos sucessos. Pois a vida é muito dinâmica e solicita fluidez, quesito fundamental dos profissionais que alcançam os melhores resultados!

 

Uma terceira armadilha, que talvez venha se intensificando com as mídias sociais, é a demonstração excessiva de sucesso!

 

Novamente, um sucesso massificado, sem considerar sua singularidade, onde o mostrar acaba se tornando mais importante do que o sentir!

 

As imagens são sedutoras, sem dúvida. O nosso sentir, porém, é fiel ao que valorizamos. Naturalmente, desde que saibamos o que tem valor para nós. Caso contrário, o sentir ficará conectado a “males” da atualidade como transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, síndrome de poder, compulsões e depressão.

 

Sintomas são formas metafóricas de conexão entre a alma e o coração. Levam para o corpo uma informação que, quando recebida com maturidade e amorosidade, nos ajuda a mudar algo na vida!

 

O sintoma muitas vezes é um presente. Ele nos permite realizar a conexão com nossos valores e, dessa forma, viver o sucesso!

 

Quarta armadilha do insucesso: ter que validar com as pessoas com quem convivemos o quão valioso é o nosso sucesso! 

 

Outro dia, num jantar profissional, uma das pessoas presentes falava compulsivamente do sucesso do marido. Ele, por sua vez, mantinha um profundo silêncio enquanto ela validava os feitos dele. Não sei para os demais, mas para mim aquela cena foi constrangedora.

 

Existia uma busca “cega” pela validação dos demais, além de uma prepotência em desconsiderar a capacidade dos presentes em demostrar, se essa fosse a vontade deles, perguntando ao próprio marido sobre os feitos dele.

 

Confesso que sai do jantar sem entender, afinal, se ela queria que o marido fosse visto como um homem de sucesso, ou se desejava que todos nós percebêssemos que ela era um mulher de sucesso por ter aquele marido! Provavelmente, ambas as coisas!

 

Aquela foi uma amostra do que o pseudossucesso pode fazer: tirar o foco das relações para exigir a validação, como se fôssemos uma plateia!

 

Quinta armadilha, que está vinculada a anterior, é a falta de conexão e interesse genuíno nas pessoas!

 

O insucesso é marcado pela miopia de acreditar que um ser, sozinho, faz o sucesso acontecer, de identificar o feito sempre no singular e desconsiderar os anseios das pessoas que fazem parte de um objetivo, de um projeto e da vida.

 

Recentemente ouvi um profissional que atua com investimentos em médias e pequenas empresas definir o sucesso de forma simples e profunda: ao citar os investimentos, ele disse que o sucesso dele só acontece quando as pessoas e empresas envolvidas também alcançam o sucesso!

 

O sucesso real sempre é coletivo, envolve inúmeras pessoas, como uma construção cooperativa!

 

Talvez, em tempos de mudanças como os que estamos vivendo, o conceito de sucesso passe para o coletivo. O sucesso individual e singular só será sustentável se contemplar e respeitar os valores e metas no coletivo!