Divórcio, separação e finalização de um relacionamento: como lidar com os desafios do recomeço!

Somos imaturamente iludidos por nossas crenças a acreditarmos no eterno “para sempre”, inclusive ousaria dizer que essa forma de pensar limita cuidarmos com zelo e carinho das relações afetivas!

A vida nos mostra, em sua magnífica beleza, que todos os dias temos início e finalizações e, verdadeiramente, elas são de extremo valor!

Para vivermos um início é essencial que tenha acontecido uma finalização em nossa formação, nossos padrões comportamentais e, inclusive, em nossa evolução.

Considerarmos isso faz com que a vida possa ser vivida com uma visão adulta, que facilitaria todo o processo de crescimento, evolução e conquistas em nossas vidas!

Grande parte dos casais, em seus relacionamentos, desconsideram essa variável tão decisiva, como se a eternidade fosse natural, e seguem com esse padrão, deixando por vezes de observar as suas satisfações e da outra pessoa, colocando o grande foco na eterna relação e deixando, por vezes, de desfrutar do presente com a responsabilidade de quem desconhece o próximo segundo.

A visão da eternidade tira a responsabilidade das próprias ações e de seu reflexo no presente. Lembro que quando vivi a primeira grande separação da minha vida, que foi do meu primeiro casamento de 23 anos, me deparei com uma inconformidade diante de uma relação findada, como se nunca isso pudesse ocorrer.

Naturalmente, foi ao mesmo tempo uma grandiosa oportunidade de aprender o quanto é valioso sermos presentes no presente, pois a ilusão de eternidade  pode realizar a desconexão com os caminhos que duas pessoas sozinhas, dentro de uma relação, estão percorrendo.

E a ausência no presente de conexão entre os casais é um fator determinante para a prosperidade ou insucesso de uma relação, considerando que mudamos e podemos ter uma mudança que influencia a relação. O teor da influência e seu significado irá depender de como as partes envolvidas estão conectadas em valores, inspirações, respeito e admiração.

Manter-se no presente é tão pouco usual por uma simples razão: demanda!

Estar disponível para sentir, ouvir, olhar e conectar-se é algo profundo e que requer ausência de controle e liberdade para fluir dentro da relação com sentido de construção e evolução.

Amar é uma arte de entrega sem garantias. Então, confundimos o amor com a estrutura da relação e, na ilusão infantil, acreditamos que está tudo eternizado!

Uma finalização pode ser um grande começo para descobrir que uma relação consolida renovação e que, muitas vezes, a separação é a renovação. Descobrir que uma união foi valiosa e cumpriu o seu ciclo faria muito bem aos casais que vivem essa experiência.

Sair de uma relação com dignidade é tão importante quanto entrar em um relacionamento. O amor entre as duas pessoas afetivamente pode ter mudado, porém, o amor pelo ser humano poderia sempre estar presente!

Considerar que durante a sua existência a relação foi importante e teve seu papel é o primeiro passo para evoluir no amor!

Muitos me dizem, quando finalizam uma relação, que tem a sensação de incompetência. Essa frase é de extrema arrogância, afinal, uma relação é feita a dois, 50% a cada parte, mesmo quando há fatos que habitualmente a sociedade considera amoral.

Sempre há uma composição a dois, na alegria e na tristeza. Mesmo diante de uma “infidelidade", duas pessoas foram coniventes; na ausência e na presença há uma composição.

O segundo passo valioso é poder ter gratidão por ter vivido o que foi. Normalmente, temos uma bagagem com momentos, sensações, descobertas, aprendizados e evolução, como resultado de algo vivido.

Quando há espaço para olhar, ouvir e sentir essa bagagem, é desenvolvido um conforto de ser humano e ter entregue, nas suas condições, o seu “melhor”, mesmo que no seu balanço final tenha a clara visão de que poderia ter feito mais. Essa reflexão só existe porque você viveu o seu melhor!

Então, lidar com a finalização de um relacionamento consolida o amor também. Talvez você descubra, como eu descobri, que para finalizar com dignidade e lealdade aos seus valores é essencial ter auto amor, para honestamente valorizar o que foi precioso e seguir com a certeza de que a vida traz sempre o melhor quando seguimos o coração.

Uma relação é feita a dois e, quando uma das partes deixou de sentir amor, é essencial praticar o amor para concluir um ciclo e abrir novos, libertando -se das ilusões da eternidade!

Como diria Vinicius de Moraes: que seja eterno enquanto dure!

 

Márcia Dolores Resende é Graduada em Psicologia, Pós graduada em Criatividade e Cultura Corporativa e especialista em Recursos Humanos (USP/SP). É Sócia Diretora do Instituto de Thalentos e possui MBA em Marketing. Conselheira, Mediadora e Coaching de atuação estratégica. Idealizadora do método da Engenharia da Felicidade e do método de Coaching eficaz com PNL. É instrutora dos cursos de formação em PNL (Practitioner em PNL, Máster em PNL e Trainer Advanced em PNL).

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