Assédio: A ilusão do Superior

O tema assédio vem ganhando um espaço grandioso em nossos canais de comunicação e com o foco em informar e sensibilizar os gestores. Afinal, assédio é ausência de autorrespeito!

Um gestor ou pessoa que necessita obter algo utilizando sua posição, que julga ser superior, demonstra uma ausência de confiança e autorrespeito. Afinal, a maior exposição será da posição que tem a missão de imprimir práticas que representem a Cultura Corporativa e inspirem outros profissionais pelo modelo e pela utilização saudável do poder da função.

Acredito que sempre é útil ter um tema em foco para aprimorar as habilidades e torná-las motivo de melhoria interna e externa, desde que o tema gere um processo efetivo de transformação e que tenha como mensurar seus resultados.

Fico pensando: gestores que realmente tenham a educação corporativa podem ensinar a lidar com a posição de gestão sem o conceito de Superior e Subordinado, termo que ainda é utilizando por muitas empresas, mesmo as tidas como “modernas”. Naturalmente, a palavra é uma pequena expressão de como funciona o mindset de uma pessoa e consequentemente de uma empresa. Mudar a palavra para Gestor e Colaborador sem a mudança genuína da forma de perceber o outro irá manter o impulso do assédio presente com uma nova roupagem.

E vejo que muitas empresas desconsideram de forma objetiva como identificar a forma como um profissional lida com o Poder da função. Percebo esse ponto o grande impulsionador para o comportamento de assediador e de assediado.

O meu convite é para mergulharmos um pouco mais profundamente num tema que corre o risco de ficar superficial com a orientação de reescrever o código de ética da empresa e acreditar que isso irá sanar a situação ou transformá-la!

Certamente, o tom da Cultura Corporativa é a forma mais saudável de conduzir as práticas da organização e a relação com o Poder das funções, quando há uma clareza de "como" lidar com as posições de influência estratégica e de expressão interna e externa, lógico que todos dentro de uma organização têm um papel essencial e estratégico na Cultura Corporativa. Nem todos os Gestores reconhecem isso, infelizmente!

Quando reconhecemos que desde a copeira até o CEO representam a Cultura , tiramos o status de Superior/Inferior das posições de Gestão e, abrimos espaço para que essa posição tenha um papel de formar uma identidade coesa dentro da organização respeitando as diferenças, os gêneros, seus profissionais, fornecedores, expectativas dos acionistas e as necessidades dos clientes.

A Gestão tem responsabilidades inclusive de inspirar que cada profissional desenvolva o seu melhor e faça um entrega igualmente qualificada, sem diante da pressão desqualificar ou ultrapassar limites ou seduzir-se com seu “ilusório” Poder de Ser Superior ao outro.

Existe a síndrome que considero a responsável pelo assédio que a síndrome de inferioridade, independente do tipo de assédio e com quem é praticado, ele demonstra uma impossibilidade emocional do profissional estar na posição de Gestão que ocupa e isso poderia ser identificado antes de assumir essa posição.

Preparar Gestores para assumir posições estratégicas é o fator de maior valor dentro de uma organização, é algo que solicita mais do que treinar em habilidades, significa identificar o padrões e mindset estabelecidos considerando sua identidade.

Por mais que haja ações e investimento em preparar gerir , preparar com profundidade , autoconhecimento e analise sistêmica a Gestão Estratégica que são condutores da Visão é um investimento para tornar a empresa Longeva e com Sustentabilidade.

O grande desafio é que muitos que compõe esse grupo por sofrerem a Síndrome de Inferioridade, demonstram antagonicamente Superioridade, como se nada existisse para aprender, e constróem as próprias armadilhas, expondo as empresa, os profissionais e por último sua carreira.

Quando um Gestor é capaz de identificar que tem uma posição de influência para chegar a um objetivo maior como a Visão, praticando para esse fim a Cultura Corporativa e utilizando diariamente os seus Skills com autoconhecimento para inspirar mais profissionais a se desenvolverem por meio das metas, apresentando assim resultados que agreguem economicamente a todos.

Quando o Gestor for adequadamente identificado e preparado para cumprir um Propósito maior e com segurança interna, e sem seduzir-se pela posição, deixaremos de ter assédios e passaremos a ter relações de respeito e valorização!

Mesmo o assédio sexual é uma síndrome de inferioridade, afinal um profissional receber algo no âmbito sexual por ter uma posição profissional é uma experiência vazia e que demonstra grande insegurança. Afinal, o cargo passa a ser o objeto que enganosamente autoriza uma situação de acontecer.

Novamente seria possível identificar as limitações de um profissional que vive comparando-se com alguém superior e sente inferioridade ou o oposto, onde certamente a posição de Gestão ao ser ocupada será utilizada com esse modelo mental e criará uma grande possibilidades para o assedio.

Como transformar ?

Para que isso aconteça, primeiro é essencial a direção estratégica das empresas olharem com transparência para a sua Gestão Estratégica e o quanto esses profissionais estão de fato prontos para usarem a função de Poder sem confundirem esse papel transitório como sua identidade e sensação de Superioridade.

Construindo uma consciência para realizar a formação de Gestores que lidam com o Poder sem tornar-se refém do Poder, e saber o compromisso que o Poder solicita, que o principal afirmaria que é manter sua integridade e humildade para saber que tudo é transitório, porém o legado é atemporal e influência gerações!

Marcia Dolores Resende